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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Déssire

Basta um segundo e está tudo arruinado. Um segundo e a máscara cai, máscara essa que nem sabia existir. Por isso talvez tivesse sido tão eficiente, até aquele segundo.
É preciso usar toda a força de vontade para não atravessar a mesa e ataca-lo. E a frase, alguma coisa importante, com certeza, quase foi dita pela metade, por que por aquele segundo qualquer pensamento coerente havia evaporado e você simplesmente amaldiçoa mentalmente o fato de haver uma mesa entre vocês. Você imagina como conseguiu respirar de novo.

Sim, luxúria, é exatamente isso que te atingiu te deixou desnorteada, sem chão e com uma maldita mesa pela frente. Isso que te faz pensar o quanto ele é macio e quente, o quanto ele cheira bem, e meu Deus, você teve que lembrar agora dele saindo do banho, com o cabelo molhado e a toalha no pescoço, e como as mãos dele são bonitas, grandes e delicadas ao mesmo tempo, e você aposta que ele poderia tocar piano se quisesse, e você apenas quer mordê-las. E tudo isso por quê?
Ele é intocável, belo e intocável, como uma peça de museu. Não, melhor, porque ele te ama. Sim, ama como Galateia amou Pigmaleão, um amor por gratidão, por ele te-la criado. É parecido com vocês dois. Ele te ama por você cuidar dele e por acreditar nele e por sempre sorrir quando ele precisa. Você o ama por ele existir.
Amor? Sim, isso você nunca negou. Desde o momento em que ele sorriu a primeira vez, você o amou. Irônico, justamente você, que nunca acreditou em amor à primeira vista.

Mas tinha pensado que as coisas tinham se acalmado, uma coisa meio maternal, meio fraternal, meio alma-gêmea.
Claro que havia algo de mais. Esse empuxo que você sente em relação a ele não é normal. Você não costuma se importar com o que as outras pessoas pensam sobre você, mas tentar adivinhar o que ele está pensando é quase uma obsessão sua.
Era uma obesessão sua, porque agora não existe mais o tentar, você simplesmente sabe. E você, nesse segundo, com essa mesa, reza pra que não seja recíproco. Porque nada nunca foi recíproco entre vocês dois. Você ama ele mais, ele te suporta mais.
Mentira, a frustração é a mesma. Ele nunca sabe o que você quer e você sempre sabe o que ele quer e ele nunca quer você.
E agora ele deita na abençoada/maldita mesa. E não ajuda em nada o fato de que ele está sorrindo.
Você conhece a curva do sorriso dele, e isso te enche de medo, porque o que diabos quer dizer conhecer a curva do sorriso dele? Você não sabe e não se importa, apenas espera que ele conheça a curva do seu sorriso.
Você acha que sim, e você diz a si mesma que isso basta. Vamos ver quanto tempo essa mentira perdura.
Nunca sentiu desejo por alguém assim antes, duvida que algum dia irá sentir de novo.
Porque ele, em suas falhas é perfeito, e a perfeição é algo que só se encontra uma vez na vida. E você se torna feliz em saber que esse fato pertence só a você e ninguém mais. Ele pertence só a você e ninguém mais.
Isso te acalma, você olha pra baixo e lembra do seu papel. Tudo vai dar certo, é só não se afogar em seus olhos.

terça-feira, 1 de julho de 2008

assim

E é tipo como se eles tivessem dançando uma valsa, talvez seja isso mesmo. Mas essa nem é minha parte favorita. O legal é quando ele pega a mão dela e dois saem correndo pelo mundo, selvagens e jovens. E também quando ela ri, do outro lado da rua, e ele percebe que é pra ele.
-O nosso amor é tipo assim, épico.
-Okay, Logan.
-Quem?
Ele pisa nos pés dela e ela tem que conduzir. Será um tango? Ele grita com entusiasmo e ás vezes ela manda ele calar. Ás vezes ela grita junto. E essa é minha parte favorita.
Ela fica muito quieta e ele fica quieto também, por três segundos que seja, e pergunta o que está acontecendo e ela só olha e ele entende. E essa é a minha parte favorita.
-É tipo assim, daqueles que te fazem querer voar.
-E uma rosa por outro nome ainda terá o mesmo perfume?
-Bebeu?
E quem diria que era tão fácil aprender um paso doble. Pelo menos é isso que parece. Impressionante é quando ela não sabe, e ele tem que contar, mas é claro que ela não acredita, e é claro que no fim ele que está certo. E essa é minha parte mais preferida.
Mas sabe quando eles nem se impressionam mais um com o outro? Quando o fato dele ser fantástico, e dela ser fantástica, é natural? Essa é minha parte favorita.
E lembram quando eles se lembram que eles são fantásticos, e que nem todo mundo é assim? Essa é minha parte favorita.
Não, sinto muito, mas eles se recusam a dançar isso que eles chamam de salsa. Uma pouca vergonha, isso sim. Eles tem classe, afinal. E essa, bom, essa é minha coisa favorita.
E quando eles caem no tempo e espaço e brincam que são melhores amigos. Essa é minha parte predileta.
As vezes é tudo tão intenso e rápido que eles esquecem que se gostam e viram quase que inimigos. Os mais formidáveis dos inimigos, porque eles se conhecem tão bem. E essa é minha parte favorita.
E quando ele esquece de reparar nos sapatos dela. E quando ela amarra o nó da gravata dele. E quando os dois aparecem com um corte de cabelo novo e meio que se ressentem por isso, porque cara, eu queria muito que você ficasse focado no meu cabelo. Eu acho que essa é parte favorita do mundo inteiro.
Quando ela não para de falar. E ele perde a eloquência. Ela anda com o braço entrelaçado no dele, pra não perde-lo.
O final do giro que eles fizeram direito. Talvez tenha sido um bolero o tempo inteiro.
-Intrepído. Como Lois Lane e Superman.
Ela acha graça, porque ele não assiste muita tv.
-Por favor, é o século 21, como Clark e Chloe, pelo menos.
E essa é minha parte favorita.


segunda-feira, 14 de abril de 2008

Cinco minutos para o fim do mundo

-Olha pra mim.
É difícil, ela sabe que vai ouvir o que não quer, mas é uma ordem tão pura, honesta, preocupada e sem malícia que é impossível não obedecer.
-Você acha isso normal? Ela tá lá naquele hospital, sabe-se lá em que estado e você muda pra casa dele. Você não vai substituir ela, sabia?
-Não é nada disso. Ele, ele precisa de mim. Ele está sozinho agora, ele é meu melhor amigo, eu tenho medo do que possa acontecer se eu não estiver lá.
A pena que está incrustada em seus olhos dói mais do que qualquer reprimenda.
-Eu só não quero que ele te machuque.
-Ele nunca faria isso de propósito.
-Eu sei. É disso que eu tenho medo.
.
.
.
Ela fica no quarto de hóspedes, ao lado do dele. Dorme sem problemas até que ouve um barulho e quase tem um ataque do coração. Ele está lá, parado no meio do quarto, lágrimas descendo pelo rosto.
Ela estende a mão, chamando e ele deita do lado dela, seus dedos entrelaçados. A cabeça dele repousa sobre sua barriga.
-Eu tive um pesadelo.
-Shh, já acabou, eu estou aqui.
-Mas eu, eu não posso deixar...
-Vai ficar tudo bem. Eu prometo.
Ele aperta a mão dela mais forte e adormece.
Eles dormem sempre assim, aconchegados um no outro. Um dia os pesadelos acabam, nesse dia ele beija ela.
Ela tem medo que ele peça desculpas, mas ele não pede. Os dois dormem bem a noite inteira.
O que começa com um beijo casto, ascende, até o ponto em que a única coisa que os dois usam debaixo das cobertas é pele.
Então ele pára.
-Não, eles vão vir atrás de você.
Ela suspira frustrada.
-Você sabe que não importa, não é? A nossa relação já é mais próxima que a que vocês tinham, se eles me quisessem já teriam vindo.
Ele olha com tanta tristeza que ela quer abraça-lo. Mas ela vem fazendo isso o tempo todo e de nada adiantou. É hora de tough love.
-Sabe meus pesadelos, eles eram sobre você, sobre eles tirarem você de perto de mim. Eu não sobreviveria.
Ela sorri com dor.
-Claro que sobreviveria. Você sobrevive sem ela.
-Ela não é você. Você é mais.
Eles fazem amor o mais silenciosamente possível, como se tentassem impedir algum espírito da casa de acordar.
Ela vai ao hospital levando flores e olha dentro daqueles olhos vazios.
-Me desculpe, mas ele é meu agora. Ele sempre foi.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Filosofia de Vida






Apenas mais uma de amor

Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido


Como uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor obrigação de acontecer

Eu acho tão bonito
Isso de ser abstrato, baby
A beleza é mesmo tão fugaz (eu sempre falo vulgar)
É uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de acontecer

Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então,
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer

Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Sing(c)el(r)o

-Gosh, this boy. Depois que foi feito, quebraram o molde.
Falou sem emoção.
-Ah, você acha isso? E porque não fala pra ele?
Os joelhos das duas se tocavam levemente. Deu de ombros.
-Pra que? Que bem faria?
-Sei lá. Talvez... sei lá.
Começou a brincar com as pontas da pulseira, já desbotada, do Senhor do Bonfim. Três desejos.
-Será que ele usa protetor solar?
-Quando vai pra praia?
-Não, não, assim, todo dia.
Piscou duas vezes, lentamente.
-Vai saber.
O barulho das bolas sendo chutadas, socadas e estapeadas era amplificado pelo teto alto.
-Eu acho as pintas dele bonitas.
-As o quê?
-As pintas. Do pescoço.
-É verdade.
Ele parou no meio da quadra, de costas para as duas. Pôs as mãos na cintura, como se seus rins incomodassem e girou o tronco.
Localizou as meninas, sorriu e acenou. Ela acenaram de volta. Saiu correndo.
-Posso te contar um segredo?
Pôs a mão na frente da boca, mas não diminuiu o volume da voz.
-Hum?
-Eu acho que ele sabe.


I think that he knows, I think that he knows.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Swear to Blog!

Música mais bonitinha do filme lindo que todo mundo no mundo tem que ver. Ai, que final perfeito. E eu aqui, já querendo assistir de novo.



Letra (de ouvido, porque essa versão é diferente da original):

Paulie: Ready?
Juno: Yeah.
Paulie: You´re a part time lover and a full time friend
The monkey on your back is the lateast trend
I don´t see what anyone can see in anyone else,
But you
Juno: Here is the church, and here is the steeple
We sure are cute for two ugly people
I don´t see what anyone can see in anyone else,
But you
Paulie: We both have shinny happy fits of rage,
I want more fans, you want more stage
I don´t see what anyone can see in anyone else,
But you
Juno: You´re always trying to keep it real
And I´m love with how you feel
I don´t see what anyone can see in anyone else,
But you
Paulie: I kiss you on the brain, in the shadow of a train
I kiss you all staryeyed, my body swing from side to side
I don´t see what anyone can see in anyone else,
But you
Juno: The peebles forgive me, the trees forgive me
So why can´t you forgive me?
I don´t see what anyone can see in anyone else,
But you
Paulie: Dup, durorup, durorup, durorup
Juno: Dup, durorup, durorup, durorup
Paulie e Juno: Dup, durorup, durorup, durorup
I don´t see what anyone can see in anyone else,
But you

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Cause I can make hot, make you stop, make you wanna say my name, girl


I can´t wait to fall in love with you

Na verdade foi o brilho do olhar dela, prestes a chorar, que me fez parar e prestar atenção. A idéia de querer consolar alguém sem segundas intenções, era nova e excitante.
Ofereci meu lenço, ao lado da fonte do jardim, mas ela não deve ter entendido meu sorriso bobo e irrestrito, desprovido da mistique e charme tão bem lapidados durante toda a minha existência.
Quando ela tocou minha mão, devolvendo o lenço, cheguei a conclusão que valera a pena.

You can´t wait to fall in love with me

Ela relutou em montar comigo. Dizia que por mais que tivesse domado mais de meia dúzia de éguas enquanto crescia na fazenda, não era certo uma moça direita sair cavalgando por aí, com um cavalheiro que ela mal conhecia.
Ela me chamar de cavalheiro me fez rir e ficar mais determinado.
Levei meu alazão, Bola-de-Neve pra conhece-la e foi amor à primeira vista.
Foi uma tarde extremamente agradável, entre os dois. Eu fiquei basicamente sentado na varanda, contando teias de aranhas do teto até eles voltarem do, longo, passeio. Dezessete.
Mas o olhar de pura adoração que ela me lançou, depois de ter, finalmente, voltado, me agradecendo por ter podido montar tão nobre animal, me disse que eu faria tudo novamente.

This just can´t be summer love, you´ll see

Minha mãe não gostou da nossa amizade, afinal ela era uma camponesa, como muitas outras antes, e deveria ser só um passatempo, nada de longas tardes quentes e preguiçosas passadas juntos, apenas sobre biscoitos e suco e conversas sobre raças puras. Nada de passeios de barco no lago da cidade, ou cochilos embaixo de árvores, enquanto ela lia poesia e afagava meus cabelos.
Sem classe, ela dizia, sem berço, sem inteligência, quanto tempo você acha que vai aguentar sem se entediar com ela.
Pra sempre, eu respondia, e quando via o rosto dela, sorrindo pra mim, quando entrelaçava meu braço, eu sabia que dizia a verdade.

Come on baby, please, I am on my kness

Demorou cinco semanas de corte até ela aceitar ir a um dos bailes comigo.
Iríamos montados no Bola-de-Neve. Eu até tinha oferecido selar outro cavalo mas, corando, ela tinha dito que estava tudo bem, Bola-de-Neve era forte o suficiente para carregar nós dois de uma vez.
Transbordando de alegria, me ajoelhei, oferecendo minha perna para que ela subisse na sela.
Durante o caminho todo ela me provocou dizendo que não sabia que seria tão fácil me botar de joelhos.
Eu não me importei, sabendo que naquela noite eu iria traze-la de joelhos também.

This just can´t be summer love

Depois de três meses ela me disse que vai embora. Vai viajar de barco com o pai, que barco seria esse ela não me diz. Temo que a minha mãe teve alguma coisa a ver com isso.
Eu digo que a gente pode fugir, passar um tempo fora, fingir que tivemos uma pequena morte. Ela olhou pra mim e tentou não rir na minha cara.
É uma conversa racional, cheia de nunca ia dar certo,nós somos muito diferentes e nossos pais se odeiam. Eu penduro minha cabeça em desolação e tento mais uma vez.
Mas você não entende, apelo, eu nunca, nunca foi assim. Eu nunca senti... Você não pode simplesmente ir.
Ela me olhou com compaixão, pegou minha mão e tirou minha luva. Beijou o dorso da minha mão, como se fosse um cavalheiro. É a primeira vez que ela realmente beija um pedaço da minha pele.
Não, eu quero dizer, mas não digo. Nós dois nos damos as costas e vemos o ultimo sol do verão morrer.






quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Wise men say (only fools rush in)

Havia algo diferente na maneira que ele se reclinou na cama dela essa noite. Que bobagem, pensou, eles já tinham dormido juntos centenas de vezes e pelo menos metade dessas ela estava apaixonada por ele.
Ela se deitou também, usando o braço dele como travesseiro. O sentimento era familiar. Ele começou a brincar com seu cabelo tentando bagunça-lo. Familiar, extremamente familiar. Ele beijou-lhe o topo da cabeça. Okay, isso era um pouco mais raro, mas ainda assim, nada pra se preocupar. Ele escorregou pela cama, e virou de lado, alinhando a cabeça dos dois. Ele fechou os olhos e ela deve ter fechado também, porque de repente o único sentido que importava era o tato, a pressão dos lábios dele. A língua dele, ah, isso que era diferente, que bom que tinha conseguido descobrir.
Amaldiçoou sua capacidade pulmonar, era sempre ela que tinha que parar pra respirar. Talvez se não tivesse chorado antes, seu nariz não teria entupido.
Percebeu que durante o beijo sua perna tinha se enroscado na dele e que agarrava a camisa que ele usava a ponto de amassa-la.
Ele não parecia se importar nem um pouco. Na verdade ela que deveria se importar com o fato da mão dele ter entrado por debaixo da sua blusa e estar repousando em sua cintura. Não se importava.
-Você está vermelha.
-De novo com essa história? Eu já disse que não fico vermelha.
-Fica sim - as pupilas dele estavam imensas- Você fica linda vermelha.
Se o objetivo era enrubesce-la, agora ele definitivamente tinha conseguido.
-Eu te amo, sabia?
-Dur, a gente anda junto desde a quinta série, se não me amasse você já me odiaria por agora.
Ele mordeu o lábio daquele jeito bonitinho que ela conhecia bem.
-Eu não sabia, realmente não sabia
-Bom, você sempre foi meio lerdo. Ainda bem que eu te suporto, senão já teria se perdido pelo caminho.
-Eu sei, você é praticamente uma bússola. Só acho que seu norte é um pouco diferente da maioria das pessoas.
Se suas mãos não estivessem firmemente entrelaçadas nos cabelos dele teria que ter lhe dado um tapa de aviso.
Ele riu e a beijou novamente, apertando sua cintura.
-Então, desde quando você sabe?
-Já faz um tempo.
-Mas quanto? Eu quero saber quanto tempo eu passei sem beija-la quando eu podia.
Ela sorriu, ele conseguia ser melodramático quando queria.
-Ah, você sabe, umas três semanas.
-TRÊS SEMANAS?! Eu aqui me sentindo culpado por ter feito minha melhor amiga passar por anos de silencioso sofrimento por não poder me ter...
-Nossa, como você é convencido. Silencioso sofrimento? Você parece uma menina.
A perna dela tinha apenas apertado mais sua cintura, enquanto a mão dele traçava círculos em sua barriga.
-e ela me diz três semanas. E ainda tem a audácia de me chamar de lerdo.
-Hey, eu nunca disse que era muito esperta. E foram três semanas dificeis. Eu devo ter tido esse silencioso sofrimento que você diz.
Ele rolou por cima dela e a beijou com mais carinho e ternura que das outras vezes.
-Me desculpe.
-Está perdoado.
Houve um momento de hesitação. Ela começou a desabotoar a camisa dele. Ele se afastou sutilmente.
-O que foi?
-Não, nada.
-Ora vamos, você pode me contar.
-É só que, a gente se conhece a tanto tempo, e agora tá tudo andando tão depressa. Eu tenho medo que alguma coisa aconteça e a gente passe a se odiar.
-Eu nunca poderia te odiar. E não é por nada não, mas eu já te vi sem camisa e por incrivel que pareça consegui me controlar.
-Nossa, mas deve ter sido um esforço.
-Oh, você nem imagina. Todo o silencioso sofrimento e tal.
-Agora você tá só me zoando.
-Claro, e você serve pra mais alguma coisa?
Ele rolou de lado e a fitou por debaixo dos cílios.
-Eu posso dormir aqui?
-Humm, só se tirar a camisa.
-Ah, igualdade de condições!
-Mas você vai ter que se controlar, não morra de emoção, ou coisa assim.
-Eu prometo, estarei aqui em silencioso sofrimento.
Ela tirou a blusa e se aninhou no abraço dele. Com uma pancada desligou o abajur.
-Boa noite.
-Boa noite, mon cherré.
-Agora você virou uma menina de vez.
Ela fechou os olhos e sorriu sentindo o perfume dele.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

When everything feels like the movies (Yeah you bleed just to know your alive)



Essa música é tão linda que dá vontade de chorar, e não é só porque o filme é um dos mais tristes de todos os tempos (se você não chpra assistindo esse você é um caso perdido). Nessa época o Nicolas Cage era tão O Cara. Hoje ele tem um filho chamado Kal-El (vai entender).


Goo Goo Dolls - Iris
And I'd give up forever to touch you
'Cause I know that you feel me somehow
You're the closest to heaven that I'll ever be

And I don't want to go home right now

And all I can taste is this moment

And all I can breathe is your life
'Cause sooner or later it's over
I just don't want to miss you tonight


And I don't want the world to see me
'Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am

And you can't fight the tears that ain't coming
Or the moment of truth in your lies
When everything feels like the movies
Yeah you bleed just to know you're alive

And I don't want the world to see me
'Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am


And I don't want the world to see me
'Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am

And I don't want the world to see me
'Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am
I just want you to know who I am
I just want you to know who I am
I just want you to know who I am

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

You just have to folow your heart

Então, eu resolvi fazer uma lista. Talvez porque eu tenha assistido Alta Fidelidade outro dia, ou talvez porque eu ando passando por um semi-bloqueio criativo, a verdade é que eu queria fazer a algum tempo e finalmente deixei de ser preguiçosa. Se vocês se importam ou não aí é outra história. Não são recomendações nem nada, só, você sabe, minha opnião. E na verdade era pra ser uma lista, mas ela se fragmentou. E eu ainda nem falei sobre o que é, né? Bom, resolvi organizar meus ships e eles costumam seguir um padrão, vcs vão ver:



Melhores amigos com muita fofura e tensão sexual:



1- Harry e Sally (When Harry met Sally): Meu filme favorito, um dos meus casais favoritos, conto de fadas pra mim é isso. Se conhecem a tanto tempo e se amam tanto que chega uma hora em que eles simplesmente não podem não ficar juntos.



2-Scully e Mulder (Arquivo X): Eles fazem um time tão bom, e tem aquela qualidade de "nós dois contra o mundo" que grita almas gêmeas. Fora o fato que eles vivem se vendo só de roupa de baixo ou nus. A Scully adora tirar a roupa do Mulder em qualquer oportunidade que tenha.



3- Harry e Hermione (Harry Potter): Não se preocupem, nenhum spoiler, mas pouco me interessa o que J.K. pensa, os dois se completam, são melhores quando estão juntos e tem uma química do caralho. Épico é o que vem a mente quando eu penso nesses dois.



4- Clark e Chloe (Smallville): Esses dois são tão legais juntos que grande parte dos fãs quer a Chloe vire a Lois Lane só pra que eles fiquem juntos pra sempre. Eu nem preciso disso, só me deixem ver eles se darem uns pegas de vez em quando que eu fico feliz. Outro caso em que a questão não é se eles se amam, mas como eles se amam. Se o Clark deixasse de ser babaca e percebesse que a Lana é a criatura mais insuportavel que já pisou na face da terra...



5- Lorelai e Luke (Gilmore Girls): O casal perfeito, até eles ficarem juntos. Eu torcia muito pros dois nas primeiras temporadas e metade da diversão era ver as frustações, confusões e fofuras que os dois se metiam só pra não admitir. Quando finalmente acontece não é tão legal assim.



6- Danny e Sam (Danny Phantom): Demora um pouco pra cair a ficha do menino mas que eles são umas gracinhas eles são. Menina Gótica tinha que arranjar um Garoto Fantasma.



7- Hanah e Bright (Everwood): Eu só comecei a gostar do Bright quando a Hanah entrou no progama, talvez porque só ai ele mostrou que além de um bobão ele era um doce e um bom amigo. Foi bem lenta a aproximação dos dois, mas quando eles finalmente se beijam eu não pude deixar de dar um grito de emoção.



8- Cuddy e House (House M.D.): Só a Cuddy consegue acompanhar o humor (ou mau humor) do House e só por isso eles já são demais. Ele é foda, ela é foda, juntos são fodásticos.



9- Kara e Lee (Battlestar Galactica): Se vocês querem ver drama, complicações, dor e muita bagagem emocional esse é o casal pra vocês. São tão intensos que tem um episodio que é sobre uma luta de boxe (literal) com os dois. Podem dizer que o Lee reclama demais pra ser digno da Kara "motherfucker-Starbuck" Thrace mas a verdade é que sai faísca quando a cena é deles.



10- Roslin e Adama (Battlestar Galactica): Um casal de pessoas mais velhas dificilmente é tão interessante e bem construido quanto o desses dois. Poder encontra poder e a dança é maravilhosa. E também dá pra dar gritinhos de emoção quando eles se beijam.



11- Carola e Arnaldo (O Profeta): Eu acho que eu já esgotei a paciência de quem me conhece falando da perfeição que eles são. Arnaldo tímido e lindo, todo a la Clark Kent, e a Carola com aquela boca enorme, que não consegue ficar calada. Melhor novela de todos os tempos.



12-Matt e Julie (Friday Night Lights): Inteligência e inocência eles tem se sobra. Com uma pitada de nervosismo e química dá pra dar borboletas no estomago.



13- Peter e Wendy (Peter Pan): O legal é o aspecto trágico. Ele nunca queria crescer e ela queria aprender a amar. Nunca poderiam ficar juntos. Um dia eu escrevo uma tese sobre todas as camadas de simbolismo de Peter Pan, mas vamos começar com isso, Wendy ama Peter, que na verdade é o Capitão Gancho, que na verdade é o pai dela. Freud explica.


14- Jane e Adam (Joan of Arcadia): O Adam é total my boyfriend e eu empresto ele pra Joan de vez em quando.



15- Will e Lyra (Fronteiras do Universo): Imagina isso, eles não são nem do mesmo universo e são perfeitos um pro outro. Amizade forjada na batalha deve durar pra sempre.



16- Ross e Rachel (Friends): Devo admitir que por mais batido que tenha ficado, nas primeiras temporadas eu achava eles a coisa mais fofa. Sabe, quando o Ross ainda tinha o cabelo curtinho e a Rachel era garçonete. Alguns momentos chick flick ótimos sairam dali.






17- Lois e Clark (Lois e Clark): O famoso triangulo de dois, o Clark é tão mais legal que o Superman e finalmente uma Lois Lane percebe isso. Grandes parceiros, grandes amigos, a combinação perfeita.




















Os opostos se atraem (será?):








1-Buffy e Spike (Buffy, a caça vampiro): O vampiro mais gostoso de todos os tempos se apaixona pela caça vampiros mais competente de todos os tempos. Tinha que dar certo, né? Né?








2- Zuko e Katara (Avatar): Eu comecei assistir Avatar porque eu vi uma luta entre eles e pensei, hum, interessante. E agora que o Zuko é quase um bom moço quem sabe dá certo.



3- Elizabeth e Jack Sparow (Piratas do Caribe): Na verdade eles só são opostos no inicio, mais pro final da historia a Elizabeth fica tão parecida com o Jack que assusta. Esses piratas se pertencem. Na minha cabeça, nos intervalos de dez anos em que o tosco do Will fica sem aparecer a Lizie vive um torrido romance com o Cap. Sparow.




4- Rory e Jess (Gilmore Girls): a menina mais certinha do mundo e um semi-bad boy até que fazem um par legal. A única vez na vida em que eu me interessei pela vida amorosa da Rory.






5- Helga e Arnold (Hey Arnold): de parecido a única coisa que esses dois tem é uma extrema sensibilidade e um coração enorme. Ainda assim é impossivel não torcer absurdamente por um final feliz.


6- Luke e Grace (Joan of Arcadia): Simplesmente perfeitos.







Slash (o que seria da vida sem alguns arco-iris?)








1- Sirius e Lupin (Harry Potter): Vai me dizer que nunca passou pela sua cabeça?








2-Peyton e Brooke (One Three Hill): Eu acho a Peyton meio chatinha, mas consigo entender porque a Brooke ama ela. E desde que a Brooke fique feliz, eu fico feliz.





3- Heath Ledger e Jake Gylenhall (BrokeBack Moutain): Tá, eu não lembro os nomes dos personagens, mas quem se importa. Só digo isso, aquele beijo na escada, hawt.



4- Veronica e Mac (Veronica Mars): Bastou uma fanfic e eu fiquei com essa ideia fixa na cabeça. A verdade é que elas são muito fofas.







5- Tim e Street (Fryday Night Lights): Eles choram quando se encontram, cara. É lindo.





6- Sean e Christian (Nip/Tuck): Esse é for real, nem o show nega que eles são apaixonados um pelo outro. Melhor cena de todos os tempos quando os dois vão provar um bolo pro casamento do Christian e eles fingem que são eles que tão casando. Fora o fato que eles são o Arthur e o Lancelote modernos. Tem até uma Guinevere no meio.







7- Voreno e Tito (Roma): Se esses caras não fossem tão machos seriam o casal mais gay do mundo. Essa história de irmãos não engana ninguém.






8- Telma e Louise (Telma e Louise): Aw, elas se beijam antes de se jogarem. E tem até um Brad Pitt no meio da história.






Triângulos e outros relacionamentos complicados:






1- Aragorn, Eowyn e Arwen (Senhor dos Anéis): Viu, se SDA tivesse sido escrito por uma mulher nos tempos de hoje isso que teria acontecido. Nada de empurrar a Eowyn pro primeiro guerreiro meia-boca que aparecesse.






2- Robin, Estelar e Ravena (Teen Titans): Nunca consegui decidir qual das duas fica mais legal com o Robin então acho que essa é a conclusão ideal.








3- Logan e Veronica (Veronica Mars): Eu não consigo nem classificar esses dois. Eles não são exatamente amigos, nem inimigos, não são opostos e nem iguais. Eles são é complicados (e hiper hot juntos), isso sim.









4- Morgana e Arthur (Brumas de Avalon): Eu só cheguei a conclusão que eu queria que eles ficassem juntos na terceira vez que li os livros. Tá, eles são irmãos, e daí? Arthur foi o único homem que foi realmente apaixonado pela Morgana e ela teria resolvido todos os problemas do mundo se tivesse virado rainha. Mas eis que surge uma Guinevere e estraga tudo (a Guinevere é o prototipo pras Lana Lang da vida, inclusive outro dia eu descobri que Ginevra é um modo arcaico do nome Guinevere. Coincidencia?).




5- Julio/Luisa/Tenoch (Y tu mamá tambiem): Assistam esse filme e depois Harry Potter três. Tudo faz sentido.






6-Peter e Claire (Heroes): Logo que eles apareceram juntos a maioria dos fãs começaram a falar o tanto que eles tinham química. Eu só pensava que ele era velho demais pra ela. Estranhamente, quando eu descobri que ele na verdade é tio dela até que eu comecei a gostar da idéia. Hee, naughty.






Acho que vou parar por aqui por a lista já imensa e duvido que alguém vá ler ela inteira. Esqueci um bando, outros deixei de fora de proposito, mas dá pra ter uma ideia geral. Isso é só pra comprovar a romântica incorrigivel que eu sou. E que eu sou obcecada demais por pessoas ficticias.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

2 triângulos

o primeiro está aqui: http://latexana.blogspot.com/2007/04/1-tringulo.html


Você se lembra a primeira vez que a beijou. A mãe dela tinha morrido a tarde anterior e você não tinha desgrudado dela por um segundo, caso ela chorasse e tivesse que esconder o rosto em suas roupas.
Mas ela não tinha chorado até aquela hora e você tinha começado a ficar preocupada. Afinal, por mais que você não se desse bem com a sua mãe você choraria se ela morresse, pelo menos você acha que sim, quando tinha dez anos.
E essa menininha séria com grandes olhos castanhos e cabelo loiro encaracolado que achava a mãe a pessoa mais importante do mundo não tinha derramado uma lágrima ainda. Você achava que ela estava em negação.
Você tinha aprendido a palavra a pouco tempo e a usava constantemente, muitas vezes de forma errada, para impressiona-la. Na época ela não era tão esperta como é agora e ainda te olhava com admiração quando você falava com aquele ar de quem sabe das coisas.
Agora não adiantava falar nada, porque ela não chora, não ri, não fala, mal se mexe e você estava entrando em desespero. Você olhou nos olhos dela e tentou se comunicar daquele jeito especial que vocês duas têm, sem se falar.
E de repente ela olhou, de verdade, pra você, piscou uma vez, duas, se agarrou ao seu pescoço e soluçou sem parar. E você ficou aliviada porque isso significava que ela ainda podia sentir. Você simplesmente a segurou enquanto ela dormia de tanto chorar.
Horas depois, quando vocês duas estão acordadas, ela olhou em seu olhos e fez uma pergunta:
-Por que?
E você queria saber responder, melhor, queria que nada de terrível tivesse acontecido. Mas isso está fora do seu alcance e você quer apenas consolá-la, então abaixa a cabeça, fecha os olhos e a beija. Ela relaxa imediatamente e é muito doce e rápido. Uma boa lembrança em meio a dor.
Ela volta a dormir em pouco tempo, e você nunca vai contar mas aquele foi seu priemeiro beijo também.


Vocês duas estão mais crescidas e você nunca mais pensa naquele dia. Exceto quando pensa. Vocês vão ao shopping pra olhar meninos bonitinhos mas você ainda segura sua mão. Ela olha pra você tendo reaprendido a sorrir e alguma coisa se mexe no seu estomâgo quando ela o faz. Você pisca pra ela e aperta sua mão mais forte. Talvez assim as borboletas vão embora.


O dia em que aquele menino loiro de ombros largos é transferido pra sua escola a vida de todos muda.
Ambas flertam com ele, embora ela tenha um namorado e você tenha vários. Dá pra ver que ele sente algo pelas duas, mas é você que ele escolhe. Você acha estranho, mas parece que sua ligação com ela está se esvaindo.
Logo você descobre porque. No início não pode acreditar que está sendo traída, não por ele, não por ela.
É a sua vez de perguntar por que e são seus olhos que estão secos. Ela chora desesperadamente e não olha no seu rosto. Você segura o queixo dela e a força a olhar, quanto mais doloroso for, melhor.
-Porque sim. Porque eu estava com ciúme. Porque você passa o tempo todo com ele e se esqueceu de mim.
Ela responde com raiva, o rosto vermelho de irritação e lágrimas e de repente é você encostada na parede e ela te beijando.
Você não tem dez anos mais e a sensação da língua dela massageando a sua é incrível. Perfeita até.
Mas você ainda está muito magoada e com todo o veneno que consegue acumular cospe, quando ela te solta.
-É assim que você fazia com ele?
Vocês ficam sem se falar por meses.


Eventualmente os três chegam a uma espécie de acordo. Todos amigos, sem ninguém beijando ninguém, não que ele saiba sobre vocês duas. Pelo menos você acha que não.
Mas no segundo em que ela começa a namorar aquele músico você e ele voltam a ficar juntos.
Ele é um doce e finalmente você tem a sensação que pode parar de proteger os outros e deixar que ele te proteja. É um sentimento maravilhoso e você acredita que está apaixonada. Você mostra suas cartas para ele e ele entende, ele é esperto também. Você ama a boca dele e a sensação da barba mal feita contra seu rosto. Ficaria dias seguidos na cama só os dois, mas ele é responsável demais para isso. Você ama isso nele também.
Quando ele diz que te ama você acha que vai explodir de felicidade, mas um gosto amargo toma sua boca, tudo está dando certo demais.
E você está certa porque ela aparece no seu quarto, parecendo a beira de um ataque. Você segura as mãos dela entre as suas e pergunta o que tinha acontecido sem falar nada.
-Eu estou apaixonda por ele.
-Pelo músico?
-Não...
Ela olha pro chão e você descobre tudo que ela não consegue dizer. Brava é o mínimo que você fica.
-Por Deus, Pey, eu quase comecei a achar que você ia contar uma coisa inovadora. Sinto muito, mas ele está bastante apaixonado por mim.
Ela nem se mexe.
-E estou apaixonada por ele, portanto...
Fala mais alguma coisa sem importância, porque nota como ela fica pálida e arregala os olhos.
-O que? O que mais?
-Eu estou apaixonada por você também.
E se você já estava com raiva agora sua ira é total. Porque a verdade é que seu estomâgo formiga, seu coração se incha de algo parecido com satisfação e nada disso são boas notícias.
Você se pergunta porque ela teve que estragar tudo.
O tapa que você dá quase quebra sua mão, mas é o beijo violento e furioso que você tasca nela que dói mais.
Ela não sabe o que pensar então você deixa as coisas claras.
-Isso foi um adeus.
Você vai embora, pra casa do seu namorado, sem olhar pra trás.



Levemente inspirado por One Tree Hill. Levemente mesmo, pq se eu assisti tres eps de negocio inteiros foi muito. Parte da minha teoria que todo mundo quer se pegar.




segunda-feira, 9 de julho de 2007

E a hora mais escura é logo antes da Aurora

e ae, alguém já viu fanfic de novela? Pois eu escrevi uma. Quase uma continuação de Território, só que esse é usando os personagens da novela mesmo. Essa história já está comigo a muito tempo, mas finalmente consegui escrever o final. Ficou bem diferente da minha proposta inicial, mas fazer o que.


Ela gostava contra o armário. Todo o peso de seu corpo sustentando pelos braços fortes dele. Nenhuma peça de roupa retirada, apenas a saia levantada e a calcinha pelos joelhos.
Ele ficava de cueca samba-canção branca. E óculos. A beijava, o ritmo de sua língua imitando o dos quadris . Suas costas ficariam doloridas depois mas ela não se importava, a lembrança seria agradável.
Cravava as unhas nas costas dele e sempre se impressionava em como aquele paspalho desengonçado era tão sólido ao toque. Não havia confusão ou atrapalhamento em seus movimentos, apenas precisão. Precisão era bom.
Era tudo muito rápido, intenso e fácil de fingir que nunca aconteceu. Mas daquela vez ele abraçou por mais tempo, beijou seu pescoço, seus olhos, sua boca, não com a violência costumeira, mas gentil e profundamente.


-Gorda assanhada.
Ele adorava ver como a afetava. Era tudo um jogo na verdade. Ele jogava insultos, aqueles eram seus favoritos, com a voz mais rouca e sexy que possuía, e ela fingia ficar ofendida.
Pelo menos costumava ser assim. Atualmente ela mal escondia a antecipação. Um sorrisinho de lado teimava em estampar seu rosto pelo resto do dia.
Eles já estavam treinados, quanto mais insultos, não-beijos e olhares de soslaio houvessem, melhor seria depois.
Ele tinha um estilo diferente do dela. Sempre deitado, de preferência numa cama e, na medida do possível, lento, ele no controle. Tirava o mais vagarosamente possível a roupa dela, e a sua, e se ela fazia menção de se cobrir segurava seus pulsos gentilmente e lhe dizia ao pé do ouvido:
-Você é linda, minha gorda assanhada.
Nunca um insulto se confudira tanto com uma declaração de amor.


O resto do tempo eles agiam normalmente, eram amigos, melhores amigos, e melhores amigos não tem esse tipo de sentimento. Fingiam não sentir ciúmes. Ela era péssima, honesta demais, não conseguia disfarçar. Ele era bonito, por mais paspalho que fosse, e ela sabia. Estava sempre pendurada em seu braço, possesiva.
Ele fingia melhor, mas teve aquela vez em que ele socou aquele cara. Só ele podia chama-la de gorducha, só ele. Ela não podia evitar de sorrir com a lembrança, e quase sempre o atacava, puxando para um quarto qualquer, deixando a porta semi-aberta. A possibilidade de serem pegos era o mais excitante e dava uma desculpa para a rapidez.
Mas uma vez foi ela que não o soltou. Foi ela que com uma expressão quase tímida, incerta, perguntou no pescoço dele:
-Você sabe que é brincadeira, né? Você sabe que eu não te acho um paspalho de verdade.
Os olhos dele trancaram nos dela, arregalados de espanto.
-Você, você sabe que eu te amo, não é?
Ele relaxou aos poucos e abriu um sorriso imenso.
-É claro que eu sei, minha gorda. Agora, que tal fechar a porta?

sábado, 19 de maio de 2007

Noir (ou Rainy days and Mondays always get me down)

Queria arrancar seu cachecol cinéreo. E não só o cachecol. Imaginou como seria vê-la nua, como seria tocar sua pele alba, como seria beijar seus lábios russeus.
Mas deixaria o chápeu tírio. Combinava com seus cabelos flavus.
Não ousava tanto. Por hora se contentou quando seus olhos glaucos tocaram os seus ater.
Tinha um ar meio cerúleo, que contrastava com sua normal atitude auréa. Mesmo assim, enquanto descalçava as luvas galbinus, sorriu e falou:
-Que dia mais argênteo.
E ele não pôde deixar de ama-la.




ps: Escrito num guardanapo durante um vôo Campinas-Brasília. Inspirado pelo artigo "Palavras que levam ao arco-íris", de Mário Eduardo Viaro, na revista Língua Portuguesa, número 19.







sábado, 21 de abril de 2007

domingo, 15 de abril de 2007

1 triângulo

-Foi só um palpite.
Ele abriu um sorriso com seus dentes de pérola (Dentes de pérola).
Ela não pôde deixar de corar. Entrelaçou os dedos entre os seus e a beijou ternamente no rosto.
E o resto é história. Ou assim ela pensava.


. . .

Estava afoita.
-Mas porque ela pensaria que vocês estão namorando?
Ele deu de ombros fazendo seu cabelo cair no rosto.
-Vai entender. Eu não compreendo tudo que se passa na mente das pessoas.
Ela só encarou. Queria chorar diante da tranquilidade dele.
-Mas não é possível, ninguém começa a pensar nessas coisas sem algum tipo de incentivo.
-Bom...
Ergueu uma sobrancelha.
-Bom o que?
-Bom, depois que ela me contou, sabe, como se sentia, eu dei uma flor para ela.
-E por que você fez isso?
Ele teve que parar para pensar.
-Sabe, ela estava tão triste, tão assustada, acho que queria lembrá-la da efemeridade das coisas belas.
Olhou estupefata. Tinha que ter se apaixonado por um poeta.
-E você contou pra ela o que significava?
Pela primeira vez pareceu transtornado.
-Será que ela nunca leu Saint-Exupéry?
Queria gritar de frustração. Soltou um pequeno gemido.
-E depois, o que você fez?
Ele hesitou.
-Beijei seu rosto.
Agora ela queria realmente chorar.
Ele se levantou e a abraçou carinhosamente.
-Don´t worry, baby. O que nós temos é único.
Então ele roçou os lábios contra os seus e ela não pensou em mais nada.


. . .

Ela foi confrontar a outra menina.
-Você não vai roubar ele, sabia?
A outra, que tinha grandes olhos castanhos e era razoavelmente bonita, cambaleou como se tivesse levado um tapa.
-Eu nunca quis roubá-lo. Eu só... Eu acho vocês dois perfeitos juntos. Só queria, de alguma forma, compartilha-lo. Fazer parte da perfeição.
Soltou um suspiro. A outra sorriu. Ela tinha o sorriso torto.
-É que, ele é tão bonito.
-Não, ele é tão gentil.
A outra parou pra pensar.
-É verdade. Deve ser isso.
Olhou fundo nos olhos dela. Parecia querer pescar sua alma.
-Mas você também é gentil. Mais do que sabe.
Se sentia muito cansada.
-Perfeitos, você diz?
A outra não pôde deixar de corar, se aproximou e a beijou ternamente no rosto.
Nesse momento ele chegou e se supreendeu. Depois sorriu (com dentes de pérola).
Abraçou uma e beijou a outra.
Ela pensou, talvez isso dê certo, talvez seja perfeito (um sorriso torto e dentes de pérola).

quinta-feira, 12 de abril de 2007