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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Déssire

Basta um segundo e está tudo arruinado. Um segundo e a máscara cai, máscara essa que nem sabia existir. Por isso talvez tivesse sido tão eficiente, até aquele segundo.
É preciso usar toda a força de vontade para não atravessar a mesa e ataca-lo. E a frase, alguma coisa importante, com certeza, quase foi dita pela metade, por que por aquele segundo qualquer pensamento coerente havia evaporado e você simplesmente amaldiçoa mentalmente o fato de haver uma mesa entre vocês. Você imagina como conseguiu respirar de novo.

Sim, luxúria, é exatamente isso que te atingiu te deixou desnorteada, sem chão e com uma maldita mesa pela frente. Isso que te faz pensar o quanto ele é macio e quente, o quanto ele cheira bem, e meu Deus, você teve que lembrar agora dele saindo do banho, com o cabelo molhado e a toalha no pescoço, e como as mãos dele são bonitas, grandes e delicadas ao mesmo tempo, e você aposta que ele poderia tocar piano se quisesse, e você apenas quer mordê-las. E tudo isso por quê?
Ele é intocável, belo e intocável, como uma peça de museu. Não, melhor, porque ele te ama. Sim, ama como Galateia amou Pigmaleão, um amor por gratidão, por ele te-la criado. É parecido com vocês dois. Ele te ama por você cuidar dele e por acreditar nele e por sempre sorrir quando ele precisa. Você o ama por ele existir.
Amor? Sim, isso você nunca negou. Desde o momento em que ele sorriu a primeira vez, você o amou. Irônico, justamente você, que nunca acreditou em amor à primeira vista.

Mas tinha pensado que as coisas tinham se acalmado, uma coisa meio maternal, meio fraternal, meio alma-gêmea.
Claro que havia algo de mais. Esse empuxo que você sente em relação a ele não é normal. Você não costuma se importar com o que as outras pessoas pensam sobre você, mas tentar adivinhar o que ele está pensando é quase uma obsessão sua.
Era uma obesessão sua, porque agora não existe mais o tentar, você simplesmente sabe. E você, nesse segundo, com essa mesa, reza pra que não seja recíproco. Porque nada nunca foi recíproco entre vocês dois. Você ama ele mais, ele te suporta mais.
Mentira, a frustração é a mesma. Ele nunca sabe o que você quer e você sempre sabe o que ele quer e ele nunca quer você.
E agora ele deita na abençoada/maldita mesa. E não ajuda em nada o fato de que ele está sorrindo.
Você conhece a curva do sorriso dele, e isso te enche de medo, porque o que diabos quer dizer conhecer a curva do sorriso dele? Você não sabe e não se importa, apenas espera que ele conheça a curva do seu sorriso.
Você acha que sim, e você diz a si mesma que isso basta. Vamos ver quanto tempo essa mentira perdura.
Nunca sentiu desejo por alguém assim antes, duvida que algum dia irá sentir de novo.
Porque ele, em suas falhas é perfeito, e a perfeição é algo que só se encontra uma vez na vida. E você se torna feliz em saber que esse fato pertence só a você e ninguém mais. Ele pertence só a você e ninguém mais.
Isso te acalma, você olha pra baixo e lembra do seu papel. Tudo vai dar certo, é só não se afogar em seus olhos.

domingo, 5 de outubro de 2008

Black Hole

Hoje eu chorei assistindo Lilo e Stitch. Mas assim, sabe, de soluço. E depois eu chorei assistindo The Office (série que eu nem sigo, assisti um ep aleatorio no FX) . Aí eu liguei pra minha mãe e chorei mais um pouco, quando ela disse que a gente vai passar as férias na praia. Eu vi a chuva caindo e chorei mais. A verdade é que a minha saudade de casa tá tão imensa que parece que eu vou quebrar, e só a ideia que eu vou passar o dia do meu aniversario aqui me deprime. Eu só, to sem animo pra nada, e quando não é isso eu tenho crises de ansiedade estranhas. Fazia muito tempo que eu não ressentia Rio Claro como eu to agora e isso não é saudavel, mas a verdade é que não posso ficar tanto tempo seguido aqui.
E tipo, eu sei que isso tá parecendo diário (ewwww!) e que ninguem tem nada a ver com isso, mas sei lá, eu sempre fico com vontade de escrever quando fico triste.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Judy, Carmem e Madge

"When you know the notes to sing
you can sing most anything "
Julie Andrews

Ás vezes perguntam porque ela faz. Por que se exaurir, com três, quatro shows por noite. Ela já não é tão nova e não consegue fazer tudo sozinha.
Drogas para dormir, drogas para ficar acordada, drogas para emagrecer,drogas pra se distrair, drogas para continuar vivendo.
Ela diria que é pra pagar as contas. Ela nasceu fazendo isso, é só isso que sabe fazer e ser arrimo de família é um hábito difícil de se perder. Porque quando você pensa que vai conseguir descansar por cinco minutos, quando você pensa que as coisas vão poder sair do seu controle e tudo vai ficar bem, é quando acontece.
Entrevistas, reportagens, livros. Irmão, mãe, sua própria filha.Ela é difícil, é ingrata, é louca. Eles nunca reclamam enquanto ela está trabalhando.
E se eles pedem perdão ela aceita, porque família é lar, e não há lugar como nosso lar. Isso é o que ela diz, pelo menos. O sangue é mais grosso.
Aqui, atrás da cortina, ouvindo o murmúrio, ou o grito, do público é que faz valer a pena. O tecido vermelho escuro é a única coisa que a separa do seu extâse.
O Paraíso é na Terra e se chama palco. E ela se pergunta como alguém sobrevive sem isso. Porque não existe substância ilícita melhor que a adrenalina da antecipação e não há maneira de ficar mais próximo de alguém do que quando você canta pra uma pessoa e somente pra ela.
E é por isso que seu ato é longo. Porque cada um ali tem uma música que é dele e ela tem que cantar pra todos. Porque é isso que ela faz melhor e ela é a melhor no que faz.
E não é preciso sapatinhos de rubi, balangãdas ou crucifixos. Ela já está em casa.

domingo, 8 de junho de 2008

Degraus do Metropolitan

E ela se encontra mais uma vez numa dessas festinhas no Greenwich Village, dez anos depois do Greenwich Village deixar de ser um point legal.
Mas não tem importância , porque ela está usando seus óculos geek chick que fazem todo mundo se apaixonar por ela, e bebendo uma cerveja importada da Alemanha de graça.
Aquele menino bonitinho britânico continua olhando pra ela e a verdade é que ele é muito bonitinho e ela já bebeu um pouco demais , e ele tem dezessete. Ela se pergunta se já não está velha demais pra meninos de dezessete anos, mas ele se aproxima e seu sorriso faz seu rosto ficar cheio de covinhas e ela já não liga.
Cata uma garrafa de um whiskey meio caro e os dois sobem pro telhado.
Eles começam a conversar e ela percebe que ele não é dos mais brilhantes, apesar do sotaque e isso a desanima um pouco. Pensa com seus botões desde quando ela se importa se alguém é esperto se for atraente o suficiente?
Pensa que há cinco anos teria sido diferente, mas é mentira. Ela tinha sido uma dessas pretensiosas que sempre preferiu uma boa conversa à um rosto perfeito. Como se algum adolescente tivesse uma conversa decente.
Na verdade com o passar dos anos ficou mais flexível com a questão do Q.I. Hoje já deve ter bebido demais.
E ele conta como o pai do melhor amigo dele morreu e ele viu o corpo quando os paramédicos chegaram e disseram que nada podia ser feito. Ele começa a chorar e ela pensa que há cinco anos atrás ela teria sentido compaixão e até poria uma mão nas costas dele em solidariedade.
Agora ela só pensa que essa deve ser a primeira vez que ele bebe de verdade e é daí que as lágrimas vêm. E ele chorando é uma coisa bela, as lágrimas manchando a pele branca-transparente, como se fosse alérgico a água.
Ela tem vontade de soca-lo, só pra acabar com essa perfeição. Avisar que a vida é assim mesmo, que é um corpo que os paramédicos não podem salvar por dia, e que é melhor ele se acostumar.
Ela se pergunta quando ela ficou tão mórbida e pensa que há cinco anos atrás era diferente. Mas é mentira, porque com dezessete anos ela era mais mórbida que nunca, porque nem tinha começado a viver. Nunca tinha saído do Brasil, nunca tinha visto a primavera em Paris, ou andado na chuva Londrina, ou dormido ao relento numa pradaria espanhola. Principalmente nunca tinha ido a Nova York, nunca tinha descoberto que o Greenwich Village era não-legal-porém-legal, ou feito refêrencias de musicais da Broadway consigo mesma.
E ela morre de inveja dele, porque ele pode ser não tão brilhante, mas ele já está longe de casa, e bebendo whiskeys caros com uma mulher cinco anos mais velha e ele é lindo e intocado e tão jovem.
Ele pára de chorar e oferece um cigarro e ela pensa quando foi que fumar cigarros ficou cool de novo e se acha velha.
Ela se levanta para ir embora e nem pensa em beija-lo, mas ele toca seu pulso com gentileza e ela pára.
Ele anota um telefone e um endereço num cartão que tinha no bolso e diz que se um dia ela passar por Londres é pra procurá-lo.
Ele sorri aberto e olha com uma admiração tão pura que ela acaba chegando a conclusão que talvez não ter mais dezessete não seja tão ruim assim.

domingo, 27 de abril de 2008

Na trincheira

Lama empapava calças escorregadias.
-Vai! Eu te dou cobertura.
Foi. E a leveza da mente naquele momento era imensurável. Sabe quando parece que seu corpo não pertence a você mesmo? Assim.
Nem ouvia mais os tiros ou sentia a chuva gelada. Escorregou no momento em que seria atingido. Sorte. A próxima bala atingiu o inimigo, seu espelho complementar.
Agarrou a placa de identificação metálica num gesto impensado. Não queria ser perder.
Continuou sua jornada, saltando sobre campos previamente floridos, gostava de margaridas. De um fôlego só, mergulhou no buraco da salvação. Olhou pra frente, cansado, e pôs-se a imaginar o resto do longo caminho, como seria possível voltar pra casa.
Se sentiu como Orfeu e teve que olhar pra trás. Encontrou olhos concentrados, uma arma em punho, ombros retesados.
Gritou:
-Vem! Eu te dou cobertura.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Cinco minutos para o fim do mundo

-Olha pra mim.
É difícil, ela sabe que vai ouvir o que não quer, mas é uma ordem tão pura, honesta, preocupada e sem malícia que é impossível não obedecer.
-Você acha isso normal? Ela tá lá naquele hospital, sabe-se lá em que estado e você muda pra casa dele. Você não vai substituir ela, sabia?
-Não é nada disso. Ele, ele precisa de mim. Ele está sozinho agora, ele é meu melhor amigo, eu tenho medo do que possa acontecer se eu não estiver lá.
A pena que está incrustada em seus olhos dói mais do que qualquer reprimenda.
-Eu só não quero que ele te machuque.
-Ele nunca faria isso de propósito.
-Eu sei. É disso que eu tenho medo.
.
.
.
Ela fica no quarto de hóspedes, ao lado do dele. Dorme sem problemas até que ouve um barulho e quase tem um ataque do coração. Ele está lá, parado no meio do quarto, lágrimas descendo pelo rosto.
Ela estende a mão, chamando e ele deita do lado dela, seus dedos entrelaçados. A cabeça dele repousa sobre sua barriga.
-Eu tive um pesadelo.
-Shh, já acabou, eu estou aqui.
-Mas eu, eu não posso deixar...
-Vai ficar tudo bem. Eu prometo.
Ele aperta a mão dela mais forte e adormece.
Eles dormem sempre assim, aconchegados um no outro. Um dia os pesadelos acabam, nesse dia ele beija ela.
Ela tem medo que ele peça desculpas, mas ele não pede. Os dois dormem bem a noite inteira.
O que começa com um beijo casto, ascende, até o ponto em que a única coisa que os dois usam debaixo das cobertas é pele.
Então ele pára.
-Não, eles vão vir atrás de você.
Ela suspira frustrada.
-Você sabe que não importa, não é? A nossa relação já é mais próxima que a que vocês tinham, se eles me quisessem já teriam vindo.
Ele olha com tanta tristeza que ela quer abraça-lo. Mas ela vem fazendo isso o tempo todo e de nada adiantou. É hora de tough love.
-Sabe meus pesadelos, eles eram sobre você, sobre eles tirarem você de perto de mim. Eu não sobreviveria.
Ela sorri com dor.
-Claro que sobreviveria. Você sobrevive sem ela.
-Ela não é você. Você é mais.
Eles fazem amor o mais silenciosamente possível, como se tentassem impedir algum espírito da casa de acordar.
Ela vai ao hospital levando flores e olha dentro daqueles olhos vazios.
-Me desculpe, mas ele é meu agora. Ele sempre foi.

sexta-feira, 7 de março de 2008

A trail for the devil to erase

Nasceu sob um signo maldito, uma estrela vermelha.
Sangrou pela primeira vez aos doze anos e sentiu que ao mesmo tempo perdia algo precioso e ganhava uma vida nova.
Suas presas cresceram aos 15 e foi aí que batata frita deixou de ser sua comida favorita. Bife mal-passado, por favor. O boi mugindo, de preferência.
Não era de usar muito preto, mas também não ia sair por aí de amarelo.
Sempre achou cemitérios interessantes, pra falar a verdade, aqueles antigos com as estátuas e criptas. Mas nunca de noite, ainda lembrava como tinha ficado dias sem dormir depois de assistir Buffy.
Não adquiriu força sobre-humana ou um poder de cura, ainda sangrava se se machucava, mas o reflexo nunca sumiu do espelho.
Matou pela primeira vez aos 18. Sem querer. Ela até que gostava dele. Mas seu coração não suportou ouvir o peito vazio dela.
Sua primeira refeição humana. É, já teve melhores. Preferia um carpaccio.
Aos 20 começou a ser caçada. Passava o máximo de tempo na praia, nunca procuravam lá.
Ficou mais bronzeada que os surfistas que ela afogava.
Foi empurrada pro meio da rua por um ladrão de carteiras que fugia da polícia. O caminhão nem a viu. Sob uma estrela prateada, morreu aos vinte cinco anos.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O Corvo

Ele passava o dia inteiro no escritório quebrando números. Se fosse mais esperto ele conseguiria perceber o padrão que ligava todos eles, mas como não era apenas ficava inquieto com a estranha familiaridade que permeava seu trabalho.
Sua função era checar se o computador estava fazendo as contas direito. Era bom com números, números altos e simples, números que não precisavam ser embasados em muita teoria. Ele não saberia explicar, nem pra si mesmo. Ensinavam pra ele que dois mais dois são quatro e ele chegava a conclusão que quatro mais quatro são oito, só não perguntassem porque, ele simplesmente sabia.
Na escola não tinha tido amigos e era ruim em todas as outras matérias, mas desde cedo ele aprendera que se alguém fosse bom o suficiente em matemática não importava o quão péssimo ele fosse nas outras coisas. Sempre passou por conselho.
Ainda assim, não era algo que o fascinasse. Era só uma habilidade que ele tinha, assim como outras pessoas sabiam assobiar e outras não. Ninguém achava assobiar particularmente interessante, assim como ele não ligava para números.
Um dia ele tinha ouvido falar que matemática e música tinham muito a ver uma com a outra. Isso foi o suficiente pra convence-lo a não fazer matemática na faculdade. Odiava música.
Música de qualquer tipo, desde hip-hop a Bach, o deixava nervoso e claustrofóbico e se havia alguma coisa que podia tira-lo do sério era pegar carona com alguém que ligava o rádio. Evitava pegar caronas. Evitava também reuniões sociais. Reuniões sociais costumavam ter música.
O único ritmo que tolerava era a melancolia surda e repetitiva de alguma músicas eletrônicas. Desde que não houvesse alguém cantando por cima. Cantores eram os piores. Portanto tinha feito contabilidade.
E os números continuaram aparecendo, naquele padrão-fantasma não identificável. Ás vezes conceitos como dobro, triplo, raiz quadrada, metade surgiam na mente dele, mas nada que o fizesse ficar intrigado, nada que ele se sentisse compelido a identificar.
Morava no 314 . Certa vez tinha ficado mais de uma hora em frente a porta, só olhando o número, como se houvesse algo nele que explicaria tudo. Mas alguma coisa estava faltando, e nada realmente aconteceu, então ele tinha agarrado sua pasta e entrado.
Estava fadado o dia em que ia dar errado. Todas as mensagens de erro do computador se resumiam a um número; 6,29; 6,29; 6,29; 6,29.
Então algo clicou em seu cérebro e ele compreendeu. Todos os segredos guardados por um bom motivo vieram afogando sua mente, com a força de uma avalanche, e ele descobriu que sabia a mais terrível das verdades.
Naquele dia um brilho de loucura se instalou em seus olhos.

Só pra avisar pra vcs que minha crise está terminada, e deu tudo certo, mas eu me sinto meio desconfortavel em escrever sobre ela aqui, mas valeu pelos votos de confiança. Então, eu to querendo voltar pra Bsb quinta ou sexta, e se alguém quiser me pegar na rodoviaria e me dar carona pra casa eu agradeço, porque a minha mãe vai viajar e volta só domingo, e táxi é caro... Ah, por último, se alguém não entendeu a referencia do titulo, está desesperadamente precisando ler Poe.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Bad News Blair (ou como Gossip Girl se tornou meu progama favorito da temporada)

Na verdade eu não vou falar sobre o que é GG. A Renata já fez uma critica muito pertinente lá no Na Vitrine (que eu linkaria aqui se tivesse alguma ideia como se faz isso) e eu já andei por aí falando em como a Blair é minha personagem favorita de todos os tempos da última semana. Esse post é pra revelar mais uma faceta da minha obssesão com pessoas ficticias. Já a algum tempo, se não me engano desde a Morgana de Brumas de Avalon, quase toda vez que eu fico encantada por algum personagem novo eu costumo escrever alguma coisa sobre ele. Pode ser um paragrafo que seja ou uma tese de Doutorado (cofHermionecof), mas essa é uma maneira que eu encontrei de me aproximar mais dele, enteder suas motivações, seu lugar na história e o que seu criador pretendia com ele. Normalmente isso acontece no rush da novidade, quando eu ainda estou conhecendo o universo que ele pertence e tudo ainda é uma surpresa. É uma maneira de me conectar a nivel pessoal e ainda assim analisar a estrutura da história. Chamem de fanfic, eu não nego que seja um pouco disso, mas eu acho que o termo estudo de personagem é mais adequado.

Aqui no Latexana eu já postei duas vezes esses meus devaneios, um com o dois triangulos, depois de eu ter assistido dois eps da segunda temporada de One Three Hill e outro depois que a novela mais perfeita de todos os tempos, O Profeta, acabou. Só pra deixar claro, isso não é uma coisa que eu me esforce pra fazer, normalmente vem brotando, depois que dá aquela coceirinha no peito que te faz querer escrever de qualquer maneira, e dificilmente começa com um proposito definido. Esse próximo que eu vou apresentar pra vocês nem foi escrito de caneta a principio, mas sim com um palito de dente num daqueles papeis manteigas que se usam pra forrar mesa de restaurante. Chamem de inspiração. Por que eu escrevi em inglês? Nem me perguntem, não foi minha intenção, mas eu acho que ele perderia a força se eu traduzisse.

Escrevi isso logo depois que vi o terceiro episodio da temporada, mas essa cena se passa durante (e um pouco após) a primeira cena que eu vi da Blair, a primeira vez que ela vê a Serena depois dela voltar, portanto antes dela saber da história do Nate. A cena me deixou uma impressão muito forte e é ultra curtinha. Nesse momento eu soube que valeria a pena acompanhar a vida dessas duas meninas. Ah, o que seria da vida sem a ficção?

Blair kissed her face with an affection only reserved to her. No one, not even Nate knew about this other side. This caring, soft person that resided inside the walls of a fake cold heart. Blair was not yet a woman, but she sure could pass as one, specially since this was what she intended.
But she couldn´t help it, the mere sight of Serena transformed her into an insecure 11-year old who needed protection. Serena was the big sister, the bad influence she hadn´t had and now she was back and Blair could barelly keep the tears inside.
She wanted to shout her desperation for that charismatic girl that had stealed her senses. But then she remembered being abandoned and betrayed and covered all up with that sarcastic smile she had perfected.
Serena looked into her eyes and smiled that charming, open smile and it took all of Blair strenghts not to simply smile along. Then her mother called and Serena walked away .
Blair looked down and, between a tear and a sob, laughed with total abandom and happines.
Abaixo: aren´t they lovelly?

domingo, 7 de outubro de 2007

Lira dos vinte anos

Saudades

Tis vain to struggle — let me perish young
BYRON


Foi por ti que num sonho de ventura
A flor da mocidade consumi...
E às primaveras disse adeus tão cedo
E na idade do amor envelheci!
Vinte anos! derramei-os gota a gota
Num abismo de dor e esquecimento...
De fogosas visões nutri meu peito...
Vinte anos!... sem viver um só momento!
Contudo, no passado uma esperança
Tanto amor e ventura prometia...
E uma virgem tão doce, tão divina,
Nos sonhos junto a mim adormecia!
Quando eu lia com ela... e no romance
Suspirava melhor ardente nota...
E Jocelyn sonhava com Laurence
Ou Werther se morria por Carlota...
Eu sentia a tremer e a transluzir-lhe
Nos olhos negros a alma inocentinha...
E uma furtiva lágrima rolando
Da face dela umedecer a minha!
E quantas vezes o luar tardio
Não viu nossos amores inocentes?
Não embalou-se da morena virgem
No suspirar, nos cânticos ardentes?
E quantas vezes não dormi sonhando
Eterno amor, eternas as venturas...
E que o céu ia abrir-se... e entre os anjos
Eu ia despertar em noites puras?
Foi esse o amor primeiro! requeimou-me
As artérias febris de juventude,
Acordou-me dos sonhos da existência
Na harmonia primeira do alaúde
Meu Deus! e quantas eu amei...
Contudo
Das noites voluptuosas da existência
Só restam-me saudades dessas horas
Que iluminou tua alma d’inocência.
Foram três noites só... três noites belas
De lua e de verão, no val saudoso...
Que eu pensava existir... sentindo o peito
Sobre teu coração morrer de gozo.
E por três noites padeci três anos,
Na vida cheia de saudade infinda...
Três anos de esperança e de martírio...
Três anos de sofrer — e espero ainda!
A ti se ergueram meus doridos versos,
Reflexos sem calor de um sol intenso,
Votei-os à imagem dos amores
Pra velá-la nos sonhos como incenso.
Eu sonhei tanto amor, tantas venturas,
Tantas noites de febre e d’esperança...
Mas hoje o coração parado e frio,
Do meu peito no túmulo descansa.
Pálida sombra dos amores santos!
Passa quando eu morrer no meu jazigo,
Ajoelha ao luar e entoa um canto...
Que lá na morte eu sonharei contigo

Álvares de Azevedo


esse povo era tão dramatico nessa época...

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Pedido

Escutem essa música e me digam se vocês acham ela tão diferente, interessante e porque não, bonita como eu. Estou tentando descobrir o mistério dela. Dizem que foi gravada de primeira num estudio improvisado, talvez seja isso. No last fm dá pra ouvir até ruidos de fundo, como se fosse de um LP. Não sei, alguma coisa dentro de mim se quebra quando eu escuto ela. Talvez alguém consiga me explicar.




Irvine

Are you there?
Are you watching me?
As I lie here on this floor
They say you feel what I do
They say you're here every moment
Will you stay?
Stay ‘till the darkness leaves
Stay here with me
I know you're busy, I know I'm just one
But you might be the only one who sees me
The only one to save me
Why is it so hard?
Why can't you just take me?
I don't have much to go
Before I fade completely
Can you feel how cold I am?
Do you cry as I do?
Are you lonely up there all by yourself?
Like I have felt all my life
The only one to save mine
How are you so strong?
What's it like to feel so free?
Your heart is really something
Your love, a complete mystery to me
Are you there watching me?
As I lie here on this floor
Do you cry, do you cry with me?
Cry with me tonight
Are you there?
Are you watching me?

ps: daqui a seis dias eu faço vinte anos, todo mundo vai ir comemorar comigo, né??????

terça-feira, 28 de agosto de 2007

When everything feels like the movies (Yeah you bleed just to know your alive)



Essa música é tão linda que dá vontade de chorar, e não é só porque o filme é um dos mais tristes de todos os tempos (se você não chpra assistindo esse você é um caso perdido). Nessa época o Nicolas Cage era tão O Cara. Hoje ele tem um filho chamado Kal-El (vai entender).


Goo Goo Dolls - Iris
And I'd give up forever to touch you
'Cause I know that you feel me somehow
You're the closest to heaven that I'll ever be

And I don't want to go home right now

And all I can taste is this moment

And all I can breathe is your life
'Cause sooner or later it's over
I just don't want to miss you tonight


And I don't want the world to see me
'Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am

And you can't fight the tears that ain't coming
Or the moment of truth in your lies
When everything feels like the movies
Yeah you bleed just to know you're alive

And I don't want the world to see me
'Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am


And I don't want the world to see me
'Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am

And I don't want the world to see me
'Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am
I just want you to know who I am
I just want you to know who I am
I just want you to know who I am

terça-feira, 31 de julho de 2007

Liberdade

Foi o boné pra trás que chamou atenção. Engraçado, nunca gostou de bonés. Sentou ao seu lado e perguntou o que fazia ali. Ele respondeu apenas com um sorriso. A chuva fazia uma melodia melancólica então teve vontade de chorar. Ele disse que quase podia sentir a brisa do mar, tirou o boné e deixou o vento afagar seus cabelos. Não pôde mais conter as lágrimas. As luzes da cidade piscavam, como se fosse um sinal. Levantou e estendeu a mão pra ele, que olhava intrigado. Seu boné, agora seguro em uma das mãos, quis rebelar-se, por isso, quase com reverência ele posicionou sobre a cabeça. Fica melhor em você, ele disse, e não concordou pois não tinha um espelho por ali. Pulou, agora tinha certeza que podia voar.



quarta-feira, 25 de julho de 2007

Livre Tradução

Oh, o tormento criado na raça,
o grito terrível da morte
e o pulso que bate na veia
a hemorragia que nenhum pode estancar, o luto,
a maldição que homem algum pode suportar.

Mas existe uma cura na casa
e não fora, não
não de outros mas deles,
sua conquista sangrenta. Nós cantamos para vocês
deuses negros de debaixo da terra.

Agora escutem, vocês poderes extasiados do subsolo
respondam ao chamado, mandem ajuda.
Abençoem as crianças, dê a eles triunfo agora.



O início do fim.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

2 triângulos

o primeiro está aqui: http://latexana.blogspot.com/2007/04/1-tringulo.html


Você se lembra a primeira vez que a beijou. A mãe dela tinha morrido a tarde anterior e você não tinha desgrudado dela por um segundo, caso ela chorasse e tivesse que esconder o rosto em suas roupas.
Mas ela não tinha chorado até aquela hora e você tinha começado a ficar preocupada. Afinal, por mais que você não se desse bem com a sua mãe você choraria se ela morresse, pelo menos você acha que sim, quando tinha dez anos.
E essa menininha séria com grandes olhos castanhos e cabelo loiro encaracolado que achava a mãe a pessoa mais importante do mundo não tinha derramado uma lágrima ainda. Você achava que ela estava em negação.
Você tinha aprendido a palavra a pouco tempo e a usava constantemente, muitas vezes de forma errada, para impressiona-la. Na época ela não era tão esperta como é agora e ainda te olhava com admiração quando você falava com aquele ar de quem sabe das coisas.
Agora não adiantava falar nada, porque ela não chora, não ri, não fala, mal se mexe e você estava entrando em desespero. Você olhou nos olhos dela e tentou se comunicar daquele jeito especial que vocês duas têm, sem se falar.
E de repente ela olhou, de verdade, pra você, piscou uma vez, duas, se agarrou ao seu pescoço e soluçou sem parar. E você ficou aliviada porque isso significava que ela ainda podia sentir. Você simplesmente a segurou enquanto ela dormia de tanto chorar.
Horas depois, quando vocês duas estão acordadas, ela olhou em seu olhos e fez uma pergunta:
-Por que?
E você queria saber responder, melhor, queria que nada de terrível tivesse acontecido. Mas isso está fora do seu alcance e você quer apenas consolá-la, então abaixa a cabeça, fecha os olhos e a beija. Ela relaxa imediatamente e é muito doce e rápido. Uma boa lembrança em meio a dor.
Ela volta a dormir em pouco tempo, e você nunca vai contar mas aquele foi seu priemeiro beijo também.


Vocês duas estão mais crescidas e você nunca mais pensa naquele dia. Exceto quando pensa. Vocês vão ao shopping pra olhar meninos bonitinhos mas você ainda segura sua mão. Ela olha pra você tendo reaprendido a sorrir e alguma coisa se mexe no seu estomâgo quando ela o faz. Você pisca pra ela e aperta sua mão mais forte. Talvez assim as borboletas vão embora.


O dia em que aquele menino loiro de ombros largos é transferido pra sua escola a vida de todos muda.
Ambas flertam com ele, embora ela tenha um namorado e você tenha vários. Dá pra ver que ele sente algo pelas duas, mas é você que ele escolhe. Você acha estranho, mas parece que sua ligação com ela está se esvaindo.
Logo você descobre porque. No início não pode acreditar que está sendo traída, não por ele, não por ela.
É a sua vez de perguntar por que e são seus olhos que estão secos. Ela chora desesperadamente e não olha no seu rosto. Você segura o queixo dela e a força a olhar, quanto mais doloroso for, melhor.
-Porque sim. Porque eu estava com ciúme. Porque você passa o tempo todo com ele e se esqueceu de mim.
Ela responde com raiva, o rosto vermelho de irritação e lágrimas e de repente é você encostada na parede e ela te beijando.
Você não tem dez anos mais e a sensação da língua dela massageando a sua é incrível. Perfeita até.
Mas você ainda está muito magoada e com todo o veneno que consegue acumular cospe, quando ela te solta.
-É assim que você fazia com ele?
Vocês ficam sem se falar por meses.


Eventualmente os três chegam a uma espécie de acordo. Todos amigos, sem ninguém beijando ninguém, não que ele saiba sobre vocês duas. Pelo menos você acha que não.
Mas no segundo em que ela começa a namorar aquele músico você e ele voltam a ficar juntos.
Ele é um doce e finalmente você tem a sensação que pode parar de proteger os outros e deixar que ele te proteja. É um sentimento maravilhoso e você acredita que está apaixonada. Você mostra suas cartas para ele e ele entende, ele é esperto também. Você ama a boca dele e a sensação da barba mal feita contra seu rosto. Ficaria dias seguidos na cama só os dois, mas ele é responsável demais para isso. Você ama isso nele também.
Quando ele diz que te ama você acha que vai explodir de felicidade, mas um gosto amargo toma sua boca, tudo está dando certo demais.
E você está certa porque ela aparece no seu quarto, parecendo a beira de um ataque. Você segura as mãos dela entre as suas e pergunta o que tinha acontecido sem falar nada.
-Eu estou apaixonda por ele.
-Pelo músico?
-Não...
Ela olha pro chão e você descobre tudo que ela não consegue dizer. Brava é o mínimo que você fica.
-Por Deus, Pey, eu quase comecei a achar que você ia contar uma coisa inovadora. Sinto muito, mas ele está bastante apaixonado por mim.
Ela nem se mexe.
-E estou apaixonada por ele, portanto...
Fala mais alguma coisa sem importância, porque nota como ela fica pálida e arregala os olhos.
-O que? O que mais?
-Eu estou apaixonada por você também.
E se você já estava com raiva agora sua ira é total. Porque a verdade é que seu estomâgo formiga, seu coração se incha de algo parecido com satisfação e nada disso são boas notícias.
Você se pergunta porque ela teve que estragar tudo.
O tapa que você dá quase quebra sua mão, mas é o beijo violento e furioso que você tasca nela que dói mais.
Ela não sabe o que pensar então você deixa as coisas claras.
-Isso foi um adeus.
Você vai embora, pra casa do seu namorado, sem olhar pra trás.



Levemente inspirado por One Tree Hill. Levemente mesmo, pq se eu assisti tres eps de negocio inteiros foi muito. Parte da minha teoria que todo mundo quer se pegar.




quinta-feira, 28 de junho de 2007

Irmãos

Por detrás de seu cabelos loiros Miguel (Micael,Milciades, Michael) observava. A túnica branca que usava não tinha costuras, portanto era inteira, mas suas asas, no momento encolhidas, atravessavam-na como se simplesmente não existisse. Talvez fosse feita de nuvens.

Tinha a pele muito branca, os olhos grandes, azuis e curiosos, o rosto imberbe e feições quase femininas. Pelo menos era assim que pareceria aos olhos humanos, era assim que concebiam sua imagem e Miguel gostava de agradar.

Mas já fazia tanto tempo que não descia. Não tempo o suficiente para um anjo normal, mas ele, apenas uma criança, ainda achava que a vida passa devagar. Principalmente uma vida eterna.

Suspirou e olhou para Gawriil (Gábrio, Gabriel, Gabael). Normalmente a mera visão do amigo faria Miguel sorrir, até hoje se impressionava pela beleza que os olhos negros como raios numa noite de tempestade traziam. Gabe apresentava suas asas como um soldado mostraria suas medalhas. Se fosse possivel elas mostrariam tantas cicatrizes que alguém pensaria que era disso que eram feitas. Ele também já tinha visto muitas batalhas.

Sem desviar o olhar ou mexer os lábios:

-O que eles querem dizer por discutir o sexo de anjos?

Gawriil teria sorrido se tivesse boca.

-Quantas vezes você já perguntou isso?

Miguel voltou a olhar pra baixo. Anjos não deveriam ficar deprimidos, não deveriam ficar infelizes, não deveriam ter tantas dúvidas. Olha onde isso levou Lúcifer. Questionamentos eram coisas de humanos.

-Mas é tão confuso.

-Não se lembra do que Ariel ensinou, eles são regidos por rotúlos, por diferenciações, não conseguem aceitar o que é igual. São imperfeitos, diferente de nós. Não precisamos disso.

-Mas temos diferenças. Temos arcanjos, anjos superiores, anjos inferiores, castas. E é pra eternidade, nem a morte temos como conforto.

Gabriel finalmente assumia uma feição que lembrava a humana, os cabelos curtos, espetados o faziam parecer um rock star angelical. Teria muito o que conversar com Kurt Cobain. Miguel parecia respeita-lo mais assim.

-Porque a morte seria um conforto? Já estamos no céu, Michael.

Seus olhos, sempre pra baixo, sempre observando, sempre desejando, se embotaram de cimento e lágrima. Muitos nem acreditavam nele, mas não podia deixar de querer cair.

-Sabe qual minha coisa favorita?

Gabriel tinha até medo de perguntar. Imagina, o grande arcanjo Gábrio com medo de uma pergunta.

-Dos filmes. Se houvesse mágica, seria isso. Eu gosto daquele que tem um que parece comigo, ainda não entendi como ele morreu.

Não me pergunte como anjos que não vinham ao plano por pelo menos dois milênios iam ao cinema. Micael era o maior entusiasta de todos.

-Era uma mulher e ela não era um anjo, por isso ela morre.

Sua memória no entanto não parecia das melhores.

-Ow, isso explica muita coisa não é?

Gabrielli se preocupou. Sua face agora era só rugas, quase como se ele existisse desde o início.

-Eu só quero brincar com eles, só isso.

-Micah...

Correu pra abraça-lo. Beijou com afeição e sorriu, resoluto.

-Então, qual será meu sexo?

Pulou. Sentiu como se afogasse. Não que pudesse saber como seria isso.

domingo, 15 de abril de 2007

1 triângulo

-Foi só um palpite.
Ele abriu um sorriso com seus dentes de pérola (Dentes de pérola).
Ela não pôde deixar de corar. Entrelaçou os dedos entre os seus e a beijou ternamente no rosto.
E o resto é história. Ou assim ela pensava.


. . .

Estava afoita.
-Mas porque ela pensaria que vocês estão namorando?
Ele deu de ombros fazendo seu cabelo cair no rosto.
-Vai entender. Eu não compreendo tudo que se passa na mente das pessoas.
Ela só encarou. Queria chorar diante da tranquilidade dele.
-Mas não é possível, ninguém começa a pensar nessas coisas sem algum tipo de incentivo.
-Bom...
Ergueu uma sobrancelha.
-Bom o que?
-Bom, depois que ela me contou, sabe, como se sentia, eu dei uma flor para ela.
-E por que você fez isso?
Ele teve que parar para pensar.
-Sabe, ela estava tão triste, tão assustada, acho que queria lembrá-la da efemeridade das coisas belas.
Olhou estupefata. Tinha que ter se apaixonado por um poeta.
-E você contou pra ela o que significava?
Pela primeira vez pareceu transtornado.
-Será que ela nunca leu Saint-Exupéry?
Queria gritar de frustração. Soltou um pequeno gemido.
-E depois, o que você fez?
Ele hesitou.
-Beijei seu rosto.
Agora ela queria realmente chorar.
Ele se levantou e a abraçou carinhosamente.
-Don´t worry, baby. O que nós temos é único.
Então ele roçou os lábios contra os seus e ela não pensou em mais nada.


. . .

Ela foi confrontar a outra menina.
-Você não vai roubar ele, sabia?
A outra, que tinha grandes olhos castanhos e era razoavelmente bonita, cambaleou como se tivesse levado um tapa.
-Eu nunca quis roubá-lo. Eu só... Eu acho vocês dois perfeitos juntos. Só queria, de alguma forma, compartilha-lo. Fazer parte da perfeição.
Soltou um suspiro. A outra sorriu. Ela tinha o sorriso torto.
-É que, ele é tão bonito.
-Não, ele é tão gentil.
A outra parou pra pensar.
-É verdade. Deve ser isso.
Olhou fundo nos olhos dela. Parecia querer pescar sua alma.
-Mas você também é gentil. Mais do que sabe.
Se sentia muito cansada.
-Perfeitos, você diz?
A outra não pôde deixar de corar, se aproximou e a beijou ternamente no rosto.
Nesse momento ele chegou e se supreendeu. Depois sorriu (com dentes de pérola).
Abraçou uma e beijou a outra.
Ela pensou, talvez isso dê certo, talvez seja perfeito (um sorriso torto e dentes de pérola).

quarta-feira, 11 de abril de 2007

E se Deus fosse um de nós?

Antes de Lost, antes de Heroes, antes de Veronica Mars ou da quinta temporada de Smallville, existiu um seriado que me levou ao meu limite máximo de obsessão. E não estou falando de Arquivo X, e sim num pequeno progama sobre Deus chamado Joan of Arcadia.
Devo admitir que não pensava sobre ele já a algum tempo, mas hoje uma das atrizes do progama (a menininha-Deus) surgiu na minha tv e me bateu a nostalgia. Como um progama tão bom é cancelado em tão pouco tempo?
A historia básica era, menina (Joan) que acaba de mudar pra cidade nova (Arcadia) começa a receber a visita de Deus sob várias formas, sempre a "inspirando" a fazer certas coisas aparentemente sem sentido que no final se revelavam de alguma forma benéfico para alguém ou para a ordem das "coisas".
Claro que era muito mais do que isso, o charme do show era, além das várias formas de Deus, os personagens da vida de Joan, todos desajustados e procurando algum sentido. Havia os pais dela, o pai um policial correto e ateu, a mãe uma artista frustrada tentando voltar a fé catolica, os dois irmãos, um ex-atleta agora condenado a uma cadeira de rodas, o outro, o Luke, um nerd gatinho que era a coisa mais fofa do mundo, e os amigos, Grace, revoltada, cinica, sarcastica e apaixonante, com uma mãe alcoolatra e um coração enorme, e finalmente Adam, artista sensivel e o melhor namorado do mundo até o momento que estragam o personagem dele.
A primeira temporada foi uma coisa maravilhosa e um dos episodios (Jump) foi talvez a coisa ficcional mais bonita que eu já vi. A lenta descoberta do papel de Joan no grande esquema das coisas, o inicio de suas amizades, o fofissimo romance do Luke com a Grace, Kevin e Helen tentando se ajustar as novas situações em suas vidas, Adam sendo deprimido e fofo e em particular a imensa sabedoria da menininha-Deus, minha aparição favorita.
Já na segunda, devo admitir, a qualidade caiu muito, mas ainda houveram bons momentos. A surpreendente morte de um dos personagens foi sincera e de cortar o coração.
Não era uma série cheia de misterios, o único que durava mais que um episodio e nunca foi respondido foi porquê Joan, e nem uma que te deixa feliz depois. Na verdade eu chorava quase todos os episodios. Mas no final a grande "mensagem" era que, não importa o que aconteça, tudo existe por um motivo e não devemos deixar de ter esperança jamais. Pode parecer babaca, mas era dito de forma tão bonita que a gente até conseguia acreditar.
Então nesses dias em que baixar coisas pelo computador ficou mais fácil que assoar o nariz, faço um pedido, assim, num dia que você não estiver fazendo nada, que tal? Dê uma chance pra que nossa Joan conquiste seu coração, talvez não traga nada pra sua vida, mas talvez se torne tão importante quanto pra mim.





achei esse videozinho no orkut com uma amostrinha, cuidado spoilers: http://www.youtube.com/watch?v=hrbHBgxE3kY