segunda-feira, 3 de março de 2008

Aniversário

Ontem o La Texana fez exatamente um ano. Foram 73 posts, 26 tags, 20 textos, 3 listas, 3 momentos geeks e mais músicas do que eu tenho paciencia de contar. Eu não posso nem começar a contar o tanto que esse blog foi importante pra mim. Em termos de produção eu nunca escrevi tanto quanto esse último ano (muita coisa eu nem cheguei a postar aqui, mas o que vale é o incentivo) e experimentei várias técnicas novas, inclusive um texto em segunda pessoa, talvez o que tenha me dado mais trabalho. Em momentos de dor eu escrevia mais, e isso me curava um pouco, ás vezes muito. Eu me deliciei com cada comentário feito, nem que fosse o "achei legal" até os mais detalhados, mas sempre tendo em mente que eu escrevia pra mim, não pros outros. Se alguém mais gostou e achou válido, foi lucro. Então, o que eu quero dizer, é valeu, blog, por ser um veículo pros meus devaneios, e obrigada, qualquer um que tenha lido, por compartilhar o meu mundo particular. Que muitos anos se sigam.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Sushi-Bar 24 hs

Ela quase passou batido pelo sushi-bar. Então o neon-azul lembrou-a da fome que sentia.
Andava arrastando os pés, as pernas afastadas, as mãos tão enfiadas nos bolsos da jaqueta de couro que parecia estar se preparando pra ser atacada.
Sentou no balcão e viu pedaços de salmão rosado passarem a sua frente. De repente não estava mais com tanta fome.
Ela escaneou o ambiente e viu ele. Tinha cílios longos, que quase tocavam sua bochecha, os ombros estreitos e cabelo que seria encaracolado se não estivesse tão curto.
Viu ela observando e sorriu. Se levantou e sua figura tinha uma graça estudada. Ele quase não tinha indicio de barba.
-Algum problema com seu sushi?
-Você trabalha aqui?
-Só curiosidade. Meu nome é Kevin, por falar nisso.
Ele ofereceu a mão pra ser apertada, tinha dedos longos, unhas curtas e bem cuidadas e uma veia saltada nas costas da mão.
-Kevin? Você está falando sério?
-Talvez.
-Ana Luísa.
Ele olhou pra ela, espantado.
-Sério?
-Quem sabe?
Ela resolveu comer afinal. Lula, que tinha gosto de frango.
-Então Kevin, não está meio tarde pra você estar acordado?
-Mas baby, gatos são criaturas noturnas.
Ele era quase asqueroso. Se não fosse completamente charmoso.
-E quantos anos você tem mesmo?
-18.
Ela olhou com incredulidade.
-Okay, 16. Droga, se essa barba crescesse de uma vez.
-Eu acho que não ajudaria muito, Kev.
Ela tirou o casaco, revelando uma tatuagem (ou seria uma cicatriz?), no ombro esquerdo. Colocou o casaco no colo dele.
-Ah, eu já entendi.
-O que?
-Você, com essa história de ficar se despindo. Não é muito sutil, sabia?
-Talvez eu esteja com calor.
-Talvez você queira me seduzir.
-Não é um hábito meu tentar seduzir garotos adolescente na madrugada.
-Garotas, então?
Ela sorriu genuinamente.
-Você é o pior.
-E ainda assim você continua conversando comigo.
-Foi você que veio até aqui.
Ela apoiou os cotovelos na mesa, afundou o pescoço e sentou com as pernas abertas, como se fosse um cowboy.
-Mas Ana, você estava praticamente gritando meu nome com os olhos.
-Eu ainda nem sabia seu nome, Kev. Ainda acho que não sei.
Ela levantou e pareceu que ia sair. Passou perto dele e sussurrou.
-Eu quero ouvir você gritar meu nome.
Saiu do restaurante sem pagar a conta.
Ele teve que segui-la. Pra devolver o casaco. Você sabe.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Sing(c)el(r)o

-Gosh, this boy. Depois que foi feito, quebraram o molde.
Falou sem emoção.
-Ah, você acha isso? E porque não fala pra ele?
Os joelhos das duas se tocavam levemente. Deu de ombros.
-Pra que? Que bem faria?
-Sei lá. Talvez... sei lá.
Começou a brincar com as pontas da pulseira, já desbotada, do Senhor do Bonfim. Três desejos.
-Será que ele usa protetor solar?
-Quando vai pra praia?
-Não, não, assim, todo dia.
Piscou duas vezes, lentamente.
-Vai saber.
O barulho das bolas sendo chutadas, socadas e estapeadas era amplificado pelo teto alto.
-Eu acho as pintas dele bonitas.
-As o quê?
-As pintas. Do pescoço.
-É verdade.
Ele parou no meio da quadra, de costas para as duas. Pôs as mãos na cintura, como se seus rins incomodassem e girou o tronco.
Localizou as meninas, sorriu e acenou. Ela acenaram de volta. Saiu correndo.
-Posso te contar um segredo?
Pôs a mão na frente da boca, mas não diminuiu o volume da voz.
-Hum?
-Eu acho que ele sabe.


I think that he knows, I think that he knows.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Swear to Blog!

Música mais bonitinha do filme lindo que todo mundo no mundo tem que ver. Ai, que final perfeito. E eu aqui, já querendo assistir de novo.



Letra (de ouvido, porque essa versão é diferente da original):

Paulie: Ready?
Juno: Yeah.
Paulie: You´re a part time lover and a full time friend
The monkey on your back is the lateast trend
I don´t see what anyone can see in anyone else,
But you
Juno: Here is the church, and here is the steeple
We sure are cute for two ugly people
I don´t see what anyone can see in anyone else,
But you
Paulie: We both have shinny happy fits of rage,
I want more fans, you want more stage
I don´t see what anyone can see in anyone else,
But you
Juno: You´re always trying to keep it real
And I´m love with how you feel
I don´t see what anyone can see in anyone else,
But you
Paulie: I kiss you on the brain, in the shadow of a train
I kiss you all staryeyed, my body swing from side to side
I don´t see what anyone can see in anyone else,
But you
Juno: The peebles forgive me, the trees forgive me
So why can´t you forgive me?
I don´t see what anyone can see in anyone else,
But you
Paulie: Dup, durorup, durorup, durorup
Juno: Dup, durorup, durorup, durorup
Paulie e Juno: Dup, durorup, durorup, durorup
I don´t see what anyone can see in anyone else,
But you

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O Corvo

Ele passava o dia inteiro no escritório quebrando números. Se fosse mais esperto ele conseguiria perceber o padrão que ligava todos eles, mas como não era apenas ficava inquieto com a estranha familiaridade que permeava seu trabalho.
Sua função era checar se o computador estava fazendo as contas direito. Era bom com números, números altos e simples, números que não precisavam ser embasados em muita teoria. Ele não saberia explicar, nem pra si mesmo. Ensinavam pra ele que dois mais dois são quatro e ele chegava a conclusão que quatro mais quatro são oito, só não perguntassem porque, ele simplesmente sabia.
Na escola não tinha tido amigos e era ruim em todas as outras matérias, mas desde cedo ele aprendera que se alguém fosse bom o suficiente em matemática não importava o quão péssimo ele fosse nas outras coisas. Sempre passou por conselho.
Ainda assim, não era algo que o fascinasse. Era só uma habilidade que ele tinha, assim como outras pessoas sabiam assobiar e outras não. Ninguém achava assobiar particularmente interessante, assim como ele não ligava para números.
Um dia ele tinha ouvido falar que matemática e música tinham muito a ver uma com a outra. Isso foi o suficiente pra convence-lo a não fazer matemática na faculdade. Odiava música.
Música de qualquer tipo, desde hip-hop a Bach, o deixava nervoso e claustrofóbico e se havia alguma coisa que podia tira-lo do sério era pegar carona com alguém que ligava o rádio. Evitava pegar caronas. Evitava também reuniões sociais. Reuniões sociais costumavam ter música.
O único ritmo que tolerava era a melancolia surda e repetitiva de alguma músicas eletrônicas. Desde que não houvesse alguém cantando por cima. Cantores eram os piores. Portanto tinha feito contabilidade.
E os números continuaram aparecendo, naquele padrão-fantasma não identificável. Ás vezes conceitos como dobro, triplo, raiz quadrada, metade surgiam na mente dele, mas nada que o fizesse ficar intrigado, nada que ele se sentisse compelido a identificar.
Morava no 314 . Certa vez tinha ficado mais de uma hora em frente a porta, só olhando o número, como se houvesse algo nele que explicaria tudo. Mas alguma coisa estava faltando, e nada realmente aconteceu, então ele tinha agarrado sua pasta e entrado.
Estava fadado o dia em que ia dar errado. Todas as mensagens de erro do computador se resumiam a um número; 6,29; 6,29; 6,29; 6,29.
Então algo clicou em seu cérebro e ele compreendeu. Todos os segredos guardados por um bom motivo vieram afogando sua mente, com a força de uma avalanche, e ele descobriu que sabia a mais terrível das verdades.
Naquele dia um brilho de loucura se instalou em seus olhos.

Só pra avisar pra vcs que minha crise está terminada, e deu tudo certo, mas eu me sinto meio desconfortavel em escrever sobre ela aqui, mas valeu pelos votos de confiança. Então, eu to querendo voltar pra Bsb quinta ou sexta, e se alguém quiser me pegar na rodoviaria e me dar carona pra casa eu agradeço, porque a minha mãe vai viajar e volta só domingo, e táxi é caro... Ah, por último, se alguém não entendeu a referencia do titulo, está desesperadamente precisando ler Poe.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

breakdown

Tantas coisas péssimas e horríveis aconteceram comigo hoje que eu estou uma pilha de nervos. O pior é que não existe ninguém pra por a culpa a não ser eu mesma. Eu elaboraria, mas sinceramente, não tenho mais energia alguma pra reviver tudo. Basta dizer que eu to voltando pra Rio Claro em crise emergencial. Espero não ficar muito tempo (se puder voltar quinta feira pra Goiânia, ótimo). Eu estou fisicamente passando mal de nervoso e alguma coisa pulsa abaixo da minha costela esquerda como se quisesse sair. O alien querendo surgir de novo. Eu tive que me ajoelhar na sala a um momento atrás, porque meus joelhos falharam. Espero que amanha já esteja tudo resolvido e eu possa voltar a escrever em vermelho de novo. Se for o caso eu conto tudo, escondendo os detalhes mais estúpidos pra mim mesma, pra auto-tortura que eu mereço. É galera, acho que vai demorar até eu poder voltar pra Brasília.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Momento Geek III



Fui na Saraiva gastar o presente de Natal que minha vó me deu e voltei com R$ 240,00 em produtos pra alimentar minha veia geek:




Arquivo X, Segunda Temporada: Gente, eu não posso nem começar a descrever o tanto que eu to feliz de ter um Mulder e uma Scully a minha disposição sempre que eu quiser. E agora eu posso pausar, repetir, tentar entender o que diabos esses ets querem com a gente ao mesmo tempo em que eu vejo o tanto que o Mulder é pretty (pretty boy) e a Scully é o máximo. E além de alimentar meu geek interior, alimento meu shipper interior, porque esses dois, vou te contar. Eles vivem se tocando, cara, e isso porque eu nem vou detalhar a reação do Mulder quando a Scully é (spoiler). Love!




The Watchmen: Sim, um graphic novel. Sim, custou quarenta conto numa edição nem tão boa assim. Mas é tão bom! É do Alan Moore, o mesmo cara de Monstro do Pântano (fantástico) e V de Vingança (superestimado, na minha opinião). E é sobre esses super heróis que vivem num mundo que a guerra fria foi um tanto diferente da nossa e o fim do mundo está realmente prestes a acontecer. Ao mesmo tempo em que super-heróis mascarados, já aposentados, começam a morrer, e os poucos que sobraram começam a investigar, temendo serem os próximos. É meio que um por trás das cenas do liga da justiça, o que realmente aconteceu, o que motivou essas pessoas a porem uma máscara e ir atrás de malfeitores, o que eles ganharam com isso. É politico, inovador, corajoso e vale a pena.




Sandman, Estação das Brumas: Finalmente eu consegui comprar uma das edições da história do senhor dos sonhos. O Neil Gaiman é tão bom nesse negocio de contar histórias, isso porque ele parece saber todas as histórias que já foram contadas no mundo. Sandman é um mundo de referencias, atrás de referencias, simbolismos atrás de simbolismos. E isso só os que eu conhecia. Viu, eu sempre soube que ficar lendo esses livros de mitologia iam me servir pra alguma coisa. E essa história em particular é geek ao quadrado porque faz referencias diretas a coisas intrinsicamente exploradas no mangá Angel Sanctuary. Que eu leio! Basicamente Lúcifer desiste de comandar o inferno, expulsa todos os habitantes de lá e entrega a chave pro Sandman fazer o que bem entender com ela. Agora todos os habitantes de todos os infernos possíveis (tipo Asgard, saca, de Cavaleiros) querem se apoderar dele e cabe a Sandman escolher quem é mais digno, ou quem tem o melhor suborno. O final é espetacular e só a pequena referencia ao Gavião Negro me deixa feliz (porque afinal, eu sou geek da DC), mas são os personagens demoníacos e angelicos que fazem a graça. Só não precisava ser tão caro.






Anasi Boys: Por fim, eu não ia gastar esse tanto de dinheiro numa livraria e não comprar, saca, um livro. Mas continuando com a veia geek eu fui e comprei outro do Neil Gaiman. Na verdade eu quase comprei Stardust, mas era mais caro, menor e tinha todas essas viadagens desnecessárias que eles põe em versões nacionais. Esse é em inglês, e é em paperback, que eu aaaamooooo, e mesmo assim é grosso, o que é quase impossível com paperback. Eu só comecei a ler, mas é uma comédia fantastica (no sentido de ser uma fantasia) sobre deuses africanos, irmãos desconhecidos e ingleses um pouco uptights demais pro próprio bem. Até agora eu to gostando. Eu já falei que é paperback?








obs: Meu eu cortei bastaaaaante meu cabelo, tipo eu mal consigo prender ele. Eu ainda to me acostumando, mas eu acho que ficou rock´n roll.